quarta-feira, 1 de abril de 2009

Até o Fim

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Até o Fim
Chico Buarque
Quando nasci veio um anjo safado
O chato do querubim
E decretou que eu estava predestinado
A ser errado assim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim"inda" garoto deixei de ir à escola
Cassaram meu boletim
Não sou ladrão , eu não sou bom de bola
Nem posso ouvir clarim
Um bom futuro é o que jamais me esperou
Mas vou até o fim
Eu bem que tenho ensaiado um progresso
Virei cantor de festim
Mamãe contou que eu faço um bruto sucesso
Em quixeramobim
Não sei como o maracatu começou
Mas vou até o fim
Por conta de umas questões paralelas
Quebraram meu bandolim
Não querem mais ouvir as minhas mazelas
E a minha voz chinfrim
Criei barriga, a minha mula empacou
Mas vou até o fim
Não tem cigarro acabou minha renda
Deu praga no meu capim
Minha mulher fugiu com o dono da venda
O que será de mim ?Eu já nem lembro "pronde" mesmo que eu vou
Mas vou até o fimComo já disse era um anjo safado
O chato dum querubim
Que decretou que eu estava predestinado
A ser todo ruim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim.

Se

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Se
Djavan


Você disse
Que não sabe "se não"
Mas também
Não tem certeza que "sim"...
Quer saber?
Quando é assim
Deixa vir do coração
Você sabe
Que eu só penso em você
Você diz
Que vive pensando em mim...
Pode serSe é assim
Você tem que largar
A mão do "não"Soltar essa louca
Arder de paixão
Não há como doer
Prá decidir
Só dizer "sim" ou "não"
Mas você adora um "se"...Eu levo a sério
Mas você disfarça
Você me diz à beça
E eu nessa de horror
E me remete ao frio
Que vem lá do sul
Insiste em "zero" a "zero"Eu quero "um" a "um"...Sei lá, o que te dá
Não quer meu calor
São Jorge, por favor
Me empresta o dragão(Dragão...)Mais fácil aprender
Japonês em braile
Do que você decidir
Se dá ou não...Você disse
Que não sabe "se não"Mas também
Não tem certeza que "sim"...
Quer saber?
Quando é assim
Deixa vir do coração
Você sabe
Que eu só penso em você
Você diz
Que vive pensando em mim...
Pode ser
Se é assim
Você tem que largar
A mão do "não"
Soltar essa louca
Arder de paixão
Não há como doer
Prá decidirSó dizer "sim" ou "não"
Mas você adora um "se"...
Eu levo a sério
Mas você disfarça
Você me diz à beça
E eu nessa de horror
E me remete ao frio
Que vem lá do sul
Insiste em zero a zero
Eu quero um a um...Sei lá, o que te dá
Não quer meu calor
São Jorge, por favor
Me empresta o dragãoDragão!
Mais fácil aprender
Japonês em braile
Do que você decidirSe dá ou não...

Caso pluvioso

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Caso pluvioso
A chuva me irritava. Até que um diadescobri que maria é que chovia.

A chuva era maria. E cada pingo de maria ensopava o meu domingo.

E meus ossos molhando, me deixava como terra que a chuva lavra e lava.

Eu era todo barro, sem verdura... maria, chuvosíssima criatura!

Ela chovia em mim, em cada gesto, pensamento, desejo, sono, e o resto.

Era chuva fininha e chuva grossa, matinal e noturna, ativa...Nossa!

Não me chovas, maria, mais que o justochuvisco de um momento, apenas susto.

Não me inundes de teu líquido plasma, não sejas tão aquático fantasma!

Eu lhe dizia em vão - pois que maria quanto mais eu rogava, mais chovia.

E chuveirando atroz em meu caminho, o deixava banhado em triste vinho,
que não aquece, pois água de chuva mosto é de cinza, não de boa uva.

Chuvadeira maria, chuvadonha, chuvinhenta, chuvil, pluvimedonha!
Eu lhe gritava: Pára! e ela chovendo, poças dágua gelada ia tecendo.

Choveu tanto maria em minha casaque a correnteza forte criou asa
e um rio se formou, ou mar, não sei, sei apenas que nele me afundei.

E quanto mais as ondas me levavam,as fontes de maria mais chuvavam,
de sorte que com pouco, e sem recurso, as coisas se lançaram no seu curso,
e eis o mundo molhado e sovertido sob aquele sinistro e atro chuvido.

Os seres mais estranhos se juntando na mesma aquosa pasta iam clamando
contra essa chuva estúpida e mortal catarata (jamais houve outra igual).

Anti-petendam cânticos se ouviram. Que nada! As cordas d’água mais deliram,
e maria, torneira desatada, mais se dilata em sua chuvarada.

Os navios soçobram. Continentes já submergem com todos os viventes,
e maria chovendo. Eis que a essa altura, delida e fluida a humana enfibratura,
e a terra não sofrendo tal chuvência, comoveu-se a Divina Providência,
e Deus, piedoso e enérgico, bradou: Não chove mais, maria! - e ela parou.
(Carlos Drummond de Andrade)

MEUS OITO ANOS

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MEUS OITO ANOS
Casimiro de Abreu
Oh que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais

Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
A sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais.

Como são belos os dias
Do despontar da existência
Respira a alma inocência,
Como perfume a flor;

O mar é lago sereno,
O céu um manto azulado,
O mundo um sonho dourado,
A vida um hino de amor !

Que auroras, que sol, que vida
Que noites de melodia,
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar

O céu bordado de estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar !

Oh dias de minha infância,
Oh meu céu de primavera !
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã

Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delicias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha, irmã !

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Pés descalços, braços nus,
Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas
Brincava beira do mar!

Rezava as Ave Marias,
Achava o céu sempre lindo
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar !

Oh que saudades que tenho
Da aurora da minha vida
Da, minha infância querida
Que os anos não trazem mais

Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
A sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

POEMA ENJOADINHO

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POEMA ENJOADINHO

Vinícius de Morais
Filhos...Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como o queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete...Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.E então começa
A aporrinhação:Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.Filho? Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!Filhos são o demo
Melhor não tê-los...Mas se não os temos
Como sabê-los?Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro mornoNa sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!Chupam gilete
Bebem xampu
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!

Minha alma ( a paz que eu não quero )

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Minha alma ( a paz que eu não quero )
A minha alma tá armada
E apontada para a cara
Do sossego
Pois paz sem voz Pois paz sem voz Não é paz é medo, (medo)
Às vezes eu falo com a vida
Às vezes é ela quem diz
Qual a paz que eu não quero
Conservar
Para tentar ser feliZ
As grades do condomínio
São para trazer proteção
Mas também trazem a dúvida
Se é você que está nessa prisão
Me abrace e me dê um beijo
Faça um filho comigo
Mas não me deixe sentar
Na poltrona no dia de domingo, domingo
Procurando novas drogas
De aluguel nesse vídeo Coagido é pela paz
Que eu não quero Seguir admitindo
É pela paz que eu não quero, seguirÉ pela paz que eu não quero,seguir
É pela paz que eu não quero, seguir Admitindo.
 

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